Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013

Depois dos 30...

 

 

''A  partir dos 30 é sempre a piorar'', dizia-me a minha tia. Então e não é que tem mesmo razão?!

Já levo 4 anitos depois dos 30 anos de idade , portanto já deu para perceber que depois dos 30 é mesmo sempre a piorar.
Aos 30 não se é velho ainda, nem sequer se tem aquilo a que se chama meia idade (embora a meia idade seja uma coisa incerta, dependente da idade a que vá morrer), mas a dolorosa verdade é que também já não se tem os 20 anos de todas as liberdades e asneiras.
Os 30 anos , se não acontecer antes , marcam aquela fase em que todos esperam algo mais de nós, a nível pessoal e a nivel profissional.
Temos , quase contra vontade , de moldar a nossa vida para que esta corresponda, tanto quanto possível , às expectativas que depositam em nós.
A nível físico, falando no meu caso particular , os 30 marcaram uma perda de cerca de 10 kg. Não tenho certeza , mas pela coincidência dessa perda de peso com a fase posterior à morte da minha mãe , associo esse emagrecimento a alguma reacção física ao falecimento e ao luto. Bem , já para não falar que tive uma fase de dormir pouquíssimo , o que também terá contribuído para ficar mais light, penso.
Calminha , escusam de começar já a mandar merendas cá para casa!Não ando a passar fome , nem a alimentar-me mal e nem esses 10 kg fazem falta! Apesar de ser alguém que cozinha pouco, na quantidade de vezes que o faço e na variedade de refeições que sei cozinhar, tenho a sorte de ter cá por casa um homem que deveria servir de exemplo a muitos outros, um homem que cozinha bastante bem. Porreiro mesmo era que agora se sumisse esta barriga que engana os mais desatentos e pior informados acerca da minha rara e moderada ingestão de bebidas alcoólicas.

 


Outro aspecto físico que marcou os meus 30 anos, mais mês menos mês, foi o aparecimento do meu primeiro cabelo branco.
Durante vários anos tive , contra ventos, marés , opinião dos meus pais e a pouca practicidade no dia-a-dia , cabelo comprido. Era uma coisa de que gostava e que , posso admitir , me dava uma certa vaidade.
Entretanto decidi , talvez por sentir, inconscientemente, o peso da necessidade de assumir um look de trintão de ar atinadinho e responsável ( coisa que sempre fui, diga-se de passagem), cortar as longas ''crinas''. Qual não foi o meu espanto, depois de me despedir de vários centímetros de comprimento do meu estimado cabelo, em me aperceber que por ali havia um cabelo branco. Acho que passei 3 dias deprimido a pensar no maldito cabelo branco. Era mais que certo que em breve outros lhe fariam companhia e isso , por parvoíce que seja, desagradava-me.
O meu pai , já nos seus sessentas e alguns, tem cabelos brancos, mas consegue não ter o cabelo todo branco... O meu irmão, quase dez anos mais velho que eu , já tem cabelos brancos desde os 30 ... Que podia eu esperar senão ser apanhado pela herança genética, n'era?!
Passados 4 anos , como tudo fazia prever, aquele solitário cabelinho branco já tem bastantes amigos , especialmente na zona do cabelo que fica logo acima das orelhas. Será um local de convívio capilar onde todos os cabelos brancos se concentram em assembleia geral?!

 


Epah, vejo e ouço algumas mulheres a dizerem que um homem de cabelo grisalho , tipo o Clooney ou o Gere, fica com um ar atraente, mas eu desconfio que essa atracção tem mais a ver com a cara e corpo do que com o cabelo grisalho. Era bom estar errado...Talvez eu ainda me pudesse tornar um ícone masculino de beleza, levando a mulherada à histeria.
Sabem o que é o mais ridiculo disto de agora ter cabelos brancos e não apreciar muito? O ridiculo é que eu , devia ter uns vinte e dois..três anos, já tive a louca de ideia de pintar o cabelo de grisalho. Havia quem o pintasse de azul, verde, platinado e outras cores, mas eu tinha o secreto desejo de o pintar de cinzento/grisalho. Puto parvo!
Em quatro anos , se os meus olhos não me enganam , mudei bastante e não foi para muito melhor. Como se já não bastassem os cabelos brancos , estou a começar a enfrentar uma outra característica com que a minha herança genética fez o favor de me presentear : as famosas entradas no cabelo.
Porcaria de sorte , digo eu! Tanto o meu pai como o meu irmão têm essas entradas na testa, mas eu , não sei porque carga de água , julguei que ia ter sempre muito bem definido o contorno de cabelo na testa. Bah! Puro erro e ilusão da minha parte. Pouco a pouco, sem que nada possa fazer , lá vou sendo obrigado a assistir à abertura de duas lindas entradas no cabelo.

 

 

Mais de 30 anos de idade e continuo sem ter uma fonte de rendimento garantida. Ao contrário daquilo que muitas pessoas pensam, isto de trabalhar na agricultura é como andar na montanha russa.Num ano estamos lá em cima e os produtos agrícolas têm um fácil escoamento e a um preço razoável. No ano seguinte , em consequência das mais diferentes variáveis (clima, lei da oferta e da procura , pragas, etc) pode acontecer o oposto e as coisas terem um valor residual ou nem sequer terem escoamento.
Nós , eu e o meu pai, trabalhamos mais na base de uma agricultura de subsistência, mas com o excedente da produção necessária para os gastos domésticos, aproveitamos para realizar algum encaixe financeiro extra.

Resumindo : até se ganha algum dinheiro , mas é sempre tão pouco e incerto que não dá para ver a agricultura, não para mim, como uma fonte de rendimento segura e viável a ponto de conseguir viver apenas dela . Não fossem os pequenos trabalhos, os chamados biscates, que vão aparecendo (cada vez menos) na pintura e em pequenas tarefas, estava bem lixado.
A juntar a essa incerteza e precariedade financeira ainda há o facto de eu , por muito que me esforce, não conseguir ver a agricultura com o mesmo gosto, diria mesmo paixão, com que o meu pai a vê. Opa, cresci e vivi num meio rural, sou filho de pessoas ligadas à terra e ao cultivo, mas não consigo pensar em fazer isto a tempo inteiro o resto da minha vida. Depois dos 30 não era já suposto ter ultrapassado esta frustração de fazer algo que não gosto de ter de fazer como obrigação?

 

 


Last , but not the least... Amor, casa , casamento! Parece quase uma triologia sagrada a que todos aqueles com mais de 30 anos deviam venerar.
Ao que parece é suposto que aos 30 anos já se tenha encontrado o amor de uma vida, a pessoa com quem escolhemos casar, ter filhos e viver junto até ao ultimo dia da nossa vida.

Ao que parece é suposto que aos 30 já se tenha casa própria, já se tenha casado (uma vez , pelo menos) e já se tenha um filho a quem se possa deixar alguma dívida e pouco dinheiro quando morrermos.
Tenho trinta e quatro anos... Ando com um atraso do caraças nessas coisas de ter casa própria , casar e ter filhos. Para ser sincero , de todas as três coisas há uma que me incomoda ligeiramente,é não ter já sido pai. Ser pai é algo que gostaria de ser enquanto ainda não tiver uma idade que de algum modo me possa fazer sentir que serei um pai-avô , com uma idade que não me permita ser e usufruir em pleno da condiçao de pai.
Este post começa a ser um ótimo motivo de estudo para algum seguidor dos ensinamentos de Freud. Lido com atenção e tal já dava para descobrir uns quantos traumas.
Antes que me mandem internar, dar mas é isto por terminado.

 

 

 

 

segredo revelado : Epa, qualquer idade tem vantagens e desvantagens , momentos altos e momentos baixos , mas - discurso mesmo à velho -  haja é saúde , que tudo o resto , todo aquele resto (dinheiro , amor , etc ) que é ''suposto'' termos, há-de aparecer...ou não!
Segredinho de última hora : que merda de post! Consegui ficar deprimido ao ler isto! Esquecendo-me que este post foi escrito por mim, sobre a minha vida , como se fosse outra pessoa e não eu a tê-lo escrito , ia a meio do post e já estava a sentir pena do gajo por ter uma vidinha assim. Ao lembrar-me que o gajo era eu e que a vida é a minha...Bah!

publicado por segredo_revelado às 12:53
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